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Seja Bem-Vindo!

São várias as mãos que fazem o textaculos. Independente, ácido, subversivo e informativo. Deformamos conceitos com o intuito de mostrar coisas novas. Convido-os a fazer parte dessa organização do caos contextualizado. Com sua leitura ou escrevendo.

Monthly Archives: outubro 2009

O Cheiro da Morte

Estive pensando sobre a nova lei antifumo em São Paulo e tenho que admitir a folga dos fumantes. Já entrei em atrito com alguns deles e fico ciente que nestas horas talvez devesse ter dormido um pouco mais. Afinal, quando estou cansado… sou um tanto indelicado.

fumante

O certo era nunca sermos obrigados a reclamar de nada, mas eles saberem de antemão como a gente se sente no meio de toda aquela fumaça. Principalmente quando escolhemos um restaurante para almoçar, o rapaz do lado acende um cigarro, traga e deixa a fumaça sair rapidamente e os mais calmos, não o meu caso, fingem não percebê-lo.

O mundo está cheio de rapazes assim que nem se preocupam em escolher um lugar onde possa matar apenas a si mesmo. Viver o seu vicio com alguma dignidade sem precisar incomodar. Como não é possível, dez para a lei.

Mesmo assim, ainda fazem passeatas malucas com o intuito de liberarem a maconha, cujos gestos parecem ter um poder de atração igual ao do cigarro, sem contar que ambos incomodam. Espalhados pelas mesas e pelo vento seria um castigo para pessoas como eu pagarem seus pecados. Não, é melhor assim. Do jeito que está.

Primeiro, hoje por causa da lei os usuários da droga se escondem para praticarem seu passatempo. Escondidos não incomodam com o cheiro forte e nem influenciam.

O que os não fumantes mais querem, com lei ou sei lei é ficar longe da fumaça e do cheiro forte. O cheiro da morte, subitamente envolvente, que como a ciência apontou, mata mais rápido quem o sente.

LenoDias

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O Garoto que Domou o Vento

Esta é uma daquelas histórias que rendem filmes de Sessão da Tarde, mas ao contrário do excelente Céu de Outubro, a situação de William Kamkwamba era muito mais dramática.

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Ele nasceu e cresceu em Malawi, um daqueles países irrelevantes até mesmo para os padrões africanos. Tem 14 milhões de habitantes, baixa expectativa de vida, alta mortalidade infantil e AIDS. A renda per capita é de US$312,00. Só para comparar a do Brasil é de US$8.295,00.

Sua vila/aldeia não tinha saneamento básico, água corrente e muito menos eletricidade. É comum na África gente percorrer quilômetros a pé para recarregar celulares e rádios, e era o que William fazia.

Em 2002 aos 14 anos seus pais foram obrigados a tirá-lo da escola. Assolados pela fome a família não tinha como mantê-lo estudante. Mas Kamkwamba era um grande guerreiro, não no sentido militar -guerra não faz ninguém grande- mas no intelectual. Mesmo fora da escola ele continuou frequentando uma pequena biblioteca, de um só cômodo, bancada por doações do Governo dos EUA.

Nela ele viu um livro sobre moinhos de vento. Mesmo sem entender muito bem inglês, percebeu que aquilo era algo que ele conseguiria fazer. Percebeu que eletricidade era a chave para melhorar a condição de vida de sua família. Só 2% da população tem acesso ao recurso.

Durante 3 meses ele juntou peças de ferro-velho, bicicletas encontradas no lixo, estudou sobre magnetismo, condutores e dínamos. De posse do conhecimento repassado por Mestres a muito mortos, ele fez algo que deixaria Maxwell orgulhoso: Aplicou a Teoria e construiu um moinho de vento:

Antes do projeto ficar pronto, a turma que acredita que nada pode ser feito da primeira vez caiu de pau em cima do garoto, afinal um moleque de 14 anos, em um país insignificante da África ousar desafiar os Deuses da Mediocridade e construir algo, ao invés de sentar, reclamar e ficar recebendo calado a esmola em forma de doações da ONU?

Isso é uma afronta a todo mundo que escolheu o caminho mais fácil. Por isso Kamkwamba ouvia coisas como:

“Você é doido, acho que está fumando maconha demais”

Indignado o garoto respondia: “Vejam esta foto no livro! Esse moinho não caiu do céu, alguém construiu!”

Mesmo assim o projeto deu certo. O moinho gerava energia para televisão, eletrodomésticos, rádio, iluminação, recarregar celulares e o mais importante, bombear água.

Logo o moinho de Kamkwamba se tornou atração turística/funcional. Pessoas vinham de longe para carregar seus celulares, outros começaram a visitar a biblioteca, os sábios locais perceberam que a história precisava ser divulgada. Logo um jornalista apareceu e Kamkwamba teve seu feito publicado.

Graças aos blogs a notícia se espalhou mais ainda. Logo William Kamkwamba estava ensinando a construir moinhos, viajando pela África contando sua história, que foi parar nos ouvidos de Bryan Mealer, jornalista especializado na África.

Bryan passou mais de um ano juntando material, fazendo entrevistas e visitando os locais, até escrever “O Garoto que Domou o Vento”, contando toda a história.

O livro já está na lista de Best Sellers do New York Times. William Kamkwamba ganhou uma bolsa de estudos e está terminando seu Segundo Grau em Johanesburgo, na África do Sul, no Kings College.

Ele acaba de voltar de uma turnê nos Estados Unidos, apareceu em diversos programas, como o Daily Show. Quer fazer faculdade por lá, e eu aposto meu botão de block no Twitter que não faltarão Universidades oferecendo bolsas integrais.

Afinal de contas mesmo sendo um garoto que não foi alfabetizado em inglês, sem um centavo no bolso e praticamente sem comida em casa, William Kamkwamba tem INTELIGÊNCIA, o que (nem sempre) é algo reconhecido por seus pares.

Isso propiciou um currículo invejável. No mínimo tem que se respeitar alguém que faz uma apresentação no TED em Oxford, Inglaterra.

Ele conseguiu isso sem computadores, sem Internet, sem superstição, sem ódio nem raiva. Poderia ser mais um pregando caos e destruição, com seus AK47s virtuais ou não. Mas esses e seus gritos raivosos estão sempre destinados ao esquecimento.

Lembrado será William Kamkwamba, por mostrar que relevantes são os que CONSTROEM moinhos de vento, não os que os combatem.

E sim, ele tem conta no Twitter.

Carlos Cardoso

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Da batata à barata

Oh_No___Swim_for_your_lives____by_Rerinha

Batata

Levada à Europa pelos espanhóis em 1536, a Solanum tuberosum já era cultivada havia 7 mil anos nas terras do Peru. A batata gerou certa desconfiança entre os europeus, pois pertence à mesma família da beladona – uma planta venenosa. Mas, como era resistente e fácil de cultivar, acabou caindo no gosto popular e se tornando o principal alimento de diversos países do continente, entre eles a…

Irlanda

Em 1845, o país era tão dependente da batata que uma doença na planta, causada por um fungo, levou a um desastre demográfico do qual até hoje a Irlanda não se recuperou: sua população atual é menor do que era no século 19. Dos 6,5 milhões de habitantes do país, 1 milhão morreu e 3 milhões emigraram para países como os EUA. Os fugitivos da fome tiveram muitos filhos. Um deles era…

John Fitzgerald Kennedy

O político mais jovem, e primeiro católico, a ser eleito presidente dos EUA. Em seu atribulado mandato, que acabou com seu assassinato em 1963, Kennedy enfrentou a crise dos mísseis em Cuba, tentou administrar a Guerra do Vietnã e, seu legado mais vistoso, determinou que o homem chegaria à Lua em 10 anos. O resultado veio em 1969, 6 anos após sua morte, e seria conhecido como…

Apollo 11

Foi a primeira vez em que humanos pisaram na Lua, e um feito tecnológico de proporções impressionantes. Isso porque o Projeto Apollo não envolvia apenas foguetes e naves espaciais, mas também avanços em diversas ciências, como a computação, o processamento de alimentos e até a fotografia. Mas a corrida espacial também beneficiou um bicho muito odiado. A…

Barata

Fazendo uma experiência no espaço sideral, cientistas russos descobriram que as baratas se reproduzem melhor na ausência de gravidade: seus descendentes crescem mais rápido e ficam mais fortes que as baratas terrestres. Os insetos mutantes conservam seus superpoderes mesmo depois de chegar à Terra, e também têm um superapetite – comem mais de tudo, inclusive batata.

 Fabio Marton e Bruno Garattoni

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