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Seja Bem-Vindo!

São várias as mãos que fazem o textaculos. Independente, ácido, subversivo e informativo. Deformamos conceitos com o intuito de mostrar coisas novas. Convido-os a fazer parte dessa organização do caos contextualizado. Com sua leitura ou escrevendo.

Category Archives: Textaculos

Paula Fernandes dá poeira em Luan Santana e se torna campeã de vendas de CDs e DVDs em 2011. Ser amiga do Rei é uma delícia…

Ser amigo de rei nunca é ruim.

Se o rei for um cidadão chamado Roberto Carlos, então, aí nem se fala.

Depois de aparecer linda, azul, morena e com cara de por-acaso-é-comigo? no especial de fim de ano do Rei, e de vê-lo se dissolver em charme e pinta diante de sua beleza, e de seu par de coxas cruzadas que àquele momento elevava em alguns graus a temperatura do País, a carreira da cantora sertanejo-country-patricinha mineira Paula Fernandes decolou, tomou a estratosfera e de lá não saiu mais.

A Associação Brasileira de Produtores de Disco, a ABPD, organização de empresários que investem em gravação e lançamento de obras de artistas do País ligados a grandes gravadoras e distribuidoras, acaba de divulgar que Paula vendeu, nos primeiros seis meses do ano,  850 mil CDs e DVDs do trabalho lançado por ela este ano.

É mais do que o dobro do total atingido pelo segundo colocado, o também campeoníssimo Luan Santana.

No mesmo período, Santana teve 332 mil 700 cópias de seu Ao vivo no Rio levadas das lojas pelos fãs.

Para além do que se pensa a respeito do seu trabalho, Paula é talentosa no que se propõe a fazer.

Mas vamos combinar: ela, sim, pode dizer que é “apenas boa amiga” do Rei, não é mesmo?

Camaradagem, que empurrão, que empurrão…

E um detalhe: piratex, genéricos e similares não estão nestas contas.

Mas a soma deste lado B, todos sabemos, não é pequena.

Ao contrário: em muitos casos, ela pode ser maior do que o lado A oficial.

Texto Eduardo Marini

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Cine Belas Artes fechado

Zé Carlos Barretta

Ricardo Vaidergorn

Um grupo de arquitetos reuniu-se em 13 de maio de 2011 no Instituto dos Arquitetos em São Paulo para debater a preservação da memória relativa ao espaço do Cine Belas Artes. O debate foi conduzido por Eduardo Carlos Pereira, coordenador do G.T. de Patrimônio Histórico do IAB-SP e contou com a presença de Rosana Ferrari, presidente do IAB-SP; Cecília Rodrigues, professora da Universidade Mackenzie; Fernanda Falbo Bandeira de Mello, presidente do CONDEPHAAT; Nadia Somekh, conselheira do IAB-SP no CONPRESP e professora da Universidade Mackenzie; Nabil Bonduki, professor da FAU-USP e Walter Pires, diretor do DPH para uma plateia bastante significativa.

Ainda não há consenso sobre o que é mais adequado a se fazer. A questão é complexa. A esquina do cinema, da Rua da Consolação com a Avenida Paulista, recebeu benfeitorias e investimentos públicos, sendo que até no subsolo do local, há a implantação do cruzamento de duas linhas do metro. Mas, a ênfase em relação àquele espaço é o valor histórico peculiarmente significativamente. De todo modo, o interesse despertado pelo tema da preservação da memória, por profissionais tão competentes com foco na questão das identidades urbanas ainda não deixa de ser um fato inédito em São Paulo.

Sobre a esquina da Rua da Consolação com a Avenida Paulista, a do Cine Belas Artes, assim como houve um tempo em que a musica Sampa eternizava a esquina da Avenida Ipiranga com a Avenida São João é impossível esquecer a do Belas Artes. Em frente, na outra calçada da Rua da Consolação, estava o Riviera Bar onde servia Juvenal o discreto e democrático garçom de bigode fininho. Ao lado do Riviera havia o Ponto 4, um bar, bem em frente ao cinema, cuja calçada, em fins dos anos 1970, era um ponto de aglomeração de estudantes universitários, onde se debatia temas políticos e de uma pequena, mas significativa multidão, num momento onde tais aglomerações eram proibidas.

Naqueles anos, nem o presidente da República, nem o governador do estado, nem o prefeito eram eleitos pelo povo. Tinha madrugada com mais de mil pessoas apinhadas entre a calçada e o meio fio. Apesar das temíveis “Leis” que proibiam as aglomerações, como, por exemplo, o Ato Institucional no 5, ninguém deixava de parar por lá. Muitos dos que ali conheci estiveram presos nos porões do DOPS (o Departamento de Ordem Política e Social) ou no DOI/CODI. Outros, subitamente, desapareceram para sempre. Era mais seguro ficar no meio da multidão. Ali os universitários e gente que hoje faz parte do governo do Brasil bebiam cerveja ou água e de pé na calçada. Camburões e Veraneios pretos, da polícia política “à paisana”, sempre circulavam ao redor. Havia os dedos-duros (da polícia política) sempre a espreita “em busca de trabalho” e o problema maior era quando decidiam “criar condições para um novo trabalho” ou seja; incriminar (quase sempre em falso) alguém com barba, cabelos longos ou menina de tranças e jeans, por “subversão e terrorismo”. E estes “sumiam”, eram presos no meio da noite sem chance de defesa, sem cometer crime algum.

Ninguém sabia muito bem quem era quem. E o Cine Belas Artes exibia em seus luminosos os títulos de filmes de Luis Buñuel, como; O Discreto Charme da Burguesia, Ano Passado em Mariembad de Alain Resnais, O Silêncio de Ingmar Bergman, Deus e o Diabo na Terra do Sol de Glauber Rocha ou o cinema novo com cenas bucólicas da caatinga inerte e desesperançada de São Bernardo de Thomas Farkas. Eram tempos perigosos.

Bem sabemos que São Paulo não é uma cidadezinha. É uma metrópole universal, mundial, um cosmos com gente em trânsito de todos os lugares. E que influencia o mundo inteiro. Não fossem os eventos que testemunhei naquela esquina, com certeza, a vida em nosso planeta hoje seria um pouco pior, para não dizer muito, mas muito pior. Muitos dentre aquelas mil pessoas aglutinadas ali nas noites da semana não eram completamente indiferentes à Guerra no Vietnã, nem aos assassinatos no Camboja. As notícias da Europa dividida por fronteiras armadas e a chamada “Cortina de Ferro” não saiam das conversas e preocupações. A ameaça do fim do mundo ou da deflagração de uma guerra nuclear entre as duas superpotências nunca sumia por completo das noites insones dos presentes. Ninguém estava certo de haver um dia seguinte. Lembro quando os letreiros luminosos do Cine Belas Artes anunciavam o filme-documento Corações e Mentes e da cena capturada ao vivo do vietnamita sendo fuzilado a queima-roupa por um soldado com um tiro na cabeça. Na tela, o sangue dele jorrava para o alto, como uma fonte. Impossível esquecer os que de algum modo morreram por nossa sorte. Choro quando me lembro.

A memória humana é algo tão volátil. Portanto, penso que devemos fazer valer aquela esquina de São Paulo em memória de alguns momentos felizes que, a duras penas, de qualquer modo conseguimos desfrutar. Eram tempos terríveis. O que será posto no lugar dos letreiros luminosos do Cine Belas Artes? Será pelo menos de igual importância? E se por acaso, no futuro algo tenebroso, assim, como o que ocorreu venha a acontecer novamente? Quem pode garantir que a memória de tudo o que se passou será suficiente em nossas mentes e na dos que nos sucederem para que a história de horror do passado não venha a se repetir?

Relembro-me jovem com o copo descartável de cerveja na mão e no outro lado da rua os letreiros do Cine indicando que “O sonho ainda não havia acabado”, embora tudo levasse a crer que o futuro reservava-nos apenas outro mandatário uniformizado, “mão de ferro”, com seus ajudantes de ordens, profissionais da tortura e da intimidação. E o nosso dinheiro de então, que nada valia sob aquela inflação de 120% ao mês. Salários que compravam nada.. Tudo se desvalorizava tão rápido! A própria vida, parecia não ter muito valor naqueles anos! E ai de quem realmente se manifestasse em oposição. E o Cine Belas artes ali a exibir filmes de conteúdo político. Mesmo cortados, censurados. Alguma coisa sempre conseguia furar o cerco e aparecer iluminando as noites na nossa frente!

Naqueles tempos, não fazia muito que Martin Luther King havia sido assassinado, A Ku Klux Klan ditava regras racistas Da Argentina, ouvíamos notícias que jovens e universitários estavam sendo jogados vivos de aviões militares em alto-mar.

Sinto certo orgulho quando cruzo a esquina da Rua da Consolação com a Avenida Paulista e ainda vejo os luminosos (mesmo apagados) do Cine Belas Artes diante de mim. Quando penso, sem saudosismo, sobre o futuro do qual nós de fato, nos livramos. Quando me lembro da persistência, da teimosia, sim, eu me sinto bem. Mas, endosso que não podemos deixar de agradecer “aos mortos por nossa felicidade”,e nem a importância daquela esquina cuja memória é patrimônio histórico não somente da cidade, mas de todos. Há inúmeras formas de preservação que podem ser sugeridas. Sem dúvida, vale a pena debatê-las.

Texto Ricardo Vaidergorn é arquiteto,urbanista e mestre em literatura pela FFLCH­USP.

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a televisão no meu tempo

No meu tempo, a televisão era diferente. Para começar, havia a supremacia do dublado – todos os filmes, séries e programas estrangeiros recebiam uma buliçosa versão em sotaque carioca, provavelmente feita pelo mesmo sujeito, que ganhava uma miséria e imitava as vozes de todo o elenco: dos velhos, das moças, das crianças e dos galos.

No meu tempo, havia televisões em preto e branco de cinco polegadas com rádio AM/FM, que só sintonizavam à base de petelecos e mandinga brava. Havia a frequência UHF e um cheiro permanente de queimado saindo de trás do televisor.

Nos idos d’antanho, as antenas eram Plasmatic, tinham a forma triangular e um bombril na ponta. A gente costumava revezar o membro da família encarregado de ficar de pé, ao lado do aparelho, segurando a antena num ângulo específico – o braço esquerdo levemente arqueado, os joelhos dobrados, o pescoço pra trás. Era como nós praticávamos a ioga, naquela época.

As partidas de futebol eram mais proveitosas: todos os jogadores tinham a coloração esverdeada, e cada atleta recebia a marcação cerrada de um habilidoso irmão gêmeo. Nunca dava pra ver a bola e, aparentemente, os 22 elementos em campo usavam a mesma cor de uniforme, rolando a pelota fraternalmente para o mesmo time. Era bonito o futebol no meu tempo.

À tarde, a gente assistia o game-show “SuperMarket” (Band), uma despropositada gincana dentro de um supermercado. Acertávamos a resposta das charadas que o Ricardo Corte Real fazia sobre produtos lácteos, extrato de tomate e desinfetante. Sabíamos de cor em que corredor ficava o pepino em conserva e a maionese gigante. Era durante o “SuperMarket” que a luz de casa começava a falhar, anunciando a hora de ir tomar banho (antes que os vizinhos sugassem toda a energia local).

A televisão de outrora valorizava a rapidez de raciocínio (imagens oscilantes), a incerteza filosófica (o que foi que ele disse?) e a imaginação do espectador, pois nunca dava pra distinguir com clareza o que estava acontecendo (“Olha, mãe, eu acho que tem um Ovni ali atrás do Cid Moreira”).

Com o advento da transmissão em alta resolução, tela de cristal líquido Full HD e som estéreo 5.1, ficou mais chato assistir televisão.

texto Vanessa Barbara

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As coisas andam estranhas lá na gávea…

As coisas andam meio esquisitas lá pelo lado da gávea. É dirigente pedófilo, atacantes envolvidos com o tráfico de drogas e agora, goleiro acusado de assassinato e ocultação de cadáver. O elenco flamenguista está cada vez mais se adentrando no código penal, né?

No último sábado, o goleiro Bruno teve seu nome envolvido no sumiço de Eliza Samúdio, sua ex-namorada. Segundo suas amigas mais próximas, a estudante não faz contato com amigos ou familiares desde o dia 7. Alessandra Wilke, delegada que investiga o caso em Contagem, em Minas Gerais, disse que telefonemas anônimos denunciaram que Eliza teria sido agredida e morta no sítio de Bruno em Minas, e que o corpo teria sido escondido. Bombeiros fazem buscas no local. O goleiro e mais dois amigos são suspeitos de envolvimento no caso.

Trash, muito trash.

Jeff McFly

Livros - Submarino.com.br

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Grupo Abba na Virada Cultural em São Paulo

Grupo The Abba Show relembrou clássicos do original sueco na virada cultural Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

“Nossa, eles são iguaizinhos aos originais”, disse em tom de espanto a personal stylist Flávia Galdino, de 24 anos, ao chegar à Praça Júlio Prestes na tarde deste domingo (16) para assistir ao show do Abba The Show na Virada Cultural. Com o figurino idêntico ao grupo sueco que ganhou as paradas nos anos 70, a atração levou os fãs ao delírio ao relembrar clássicos pop como Mamma Mia, Voulez Vous, Gimme!, Gimmme, Gimme, Fernandoo e Money, Money, Money entre outros.

A apresentação contou com a particação especial de dois ex-integrantes da banda de apoio do Abba original: o saxofonista Janne Schaffer e o baterista Ulf Andersson.

Após pedidos ensandecidos do público para que cantassem Dancing Queen, os artistas voltaram ao palco carregando uma bandeira gigante do Brasil. Quando o show já parecia já ter chegado ao fim eles surprenderam os presentes com mais um tema e terminaram o show dedicando a última canção ao Abba original por sua contribuição à música.

Gustavo Pelogia

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