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Seja Bem-Vindo!

São várias as mãos que fazem o textaculos. Independente, ácido, subversivo e informativo. Deformamos conceitos com o intuito de mostrar coisas novas. Convido-os a fazer parte dessa organização do caos contextualizado. Com sua leitura ou escrevendo.

Category Archives: Textaculos

O dia da caça

Duzentos mil anos atrás aconteceu uma coisa que me deixou pensando no quanto choramos de barriga cheia. Um homem, armado com apetrechos criados de acordo com o que sua capacidade mental poderia conceder, saiu para caçar, com uma taquara rachada de ponta afiada e uma machadinha feita com um osso e uma pedra amarrada numa das extremidades. Mal sabia ele que este não era o dia do caçador.

Hyena_vector_by_Kaaziel

Quando a noite caiu, viu-se acompanhado. Uma Hiena decidiu, depois de muito observar aquele pobre diabo, fazê-lo de janta. Dizem que, a Hiena come qualquer coisa sem criticar e ainda sorrindo, como se vangloriasse de ser tão nojenta, pois nem os urubus poderiam ir além de sua natureza.

O homem, desamparado diante da superioridade da Hiena, tentou correr, mas vendo que não ia conseguir ir muito longe, resolveu lutar. Em questão de segundos viu sua lança transformada em duas e seu martelo sair voando sem, no entanto acertar o alvo.

Então ele olhou para o céu e permaneceu parado como se já soubesse o que sempre acontece neste tipo de situação. Sem reclamar, aceitou seu fardo, foi devorado ali mesmo, num jantar sem muitos preparativos e nem cerimônias.

Isso me fez pensar: realmente não temos do que reclamar. No dia que você achar que está tendo um dia ruim, pense nesse sujeito: Duzentos mil anos atrás, ele saiu pra caçar, era o dia da caça. Ou nem era, pois ele virou a caça. Foi devidamente devorado por uma Hiena. Um bicho que come merda sorrindo. Nem a idéia de morrer sendo um quitute especial ele pôde ter.

Fonte: LenoDias começou com o texto em cor preta e a finalização em verde foi escrito pelo Cardoso.

LenoDias e Cardoso

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A noite é a melhor de todas as companhias

Aconteceu há milhares e milhares de anos. O homem, baseado em toda sua capacidade de percepção e inteligência que o diferencia, decidiu que as noites seriam o período do descanso. Por isso, passou a utilizar as intermináveis horas de sol a pino para ralar, suar, trabalhar e se matar para, a noite, fechar os olhos e entregar-se aos sonhos de um dia não precisar mais realizar tais tarefas.

23 - IIA

A noite, coitada, viu-se sozinha. Desamparada, recebia por singela companhia apenas os ilustres animais sinistros da escuridão. Asas de morcego, bruxuleantes, farfalhando pela sombra infinita, seguidas dos olhares astutos das corujas ao uivar dos lobos.

Dizem que, certa vez, uma dessas corujas decidiu ir além de sua natureza. Ficou acordada até meio dia, quando, no final de seu plano de observação, deparou-se com uma pequena e arfante formiga operária, que acabara de dar uma pausa. Ficou confusa, por não entender exatamente os motivos que levavam o inseto à atitude.

“Formiga, minha amiga” – Disse-lhe. “Mesmo no máximo de minha inteligência e sabedoria perante os animais. Mesmo com minha astúcia e sagacidade, tornando-me referência de cultura em todos os desenhos animados e Zelda, não consigo compreender sua decisão de trabalhar sob o sol escaldante, carregando todo este peso nas costas, sem conseguir uma brisa ou sereno para refrescá-la. Por que trabalhas de dia?”

A formiga, espantada com a gigantesca superioridade do animal, tentou pensar, mas sentiu que seus pensamentos estavam já programados. Era como se já soubesse o que dizer, neste tipo de situação, desde o nascimento.

“Não sei, coruja. Todas as outras formigas operárias assim o fazem, então eu faço também”.

A sábia ave percebeu que algo estava errado. Afinal, não conseguia encontrar maior felicidade que passar as noites calmas e tranquilas em momentos eternos de reflexão e trabalho leve. E a formiga percebeu que precisava arrotar mais um pensamento que, subitamente, pareceu brotar, como que incutido externamente, em seu minúsculo cérebro:

“Mas e você? Não sabia que a noite foi feita para dormir? Você deveria acordar cedo todos os dias e dedicar-se ao trabalho duro! Passar as noites como passas, acaba com toda a sua produção e, pior, pode acabar com sua vida! É uma grande burrice!”

A coruja ficou atônita. Subitamente, percebeu que formigas operárias eram, provavelmente em maioria, estúpidas. Decidiu que não havia ponto em argumentar. Afinal, ela sabia que, dali a pouco, encontraria novamente sua principal companheira, a noite, com quem poderia passar mais maravilhosas horas de silêncio, isolada da estupidez do mundo e dos tabus que o controlam.

 Felipe Neto

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Visão do panorama

Eu conheço todo mundo que andou, por que eu andei também. Eu conheço as canções que foram cantadas, porque meus lábios estavam unidos a milhares de bocas. Eu sei, como qualquer outro, que as pessoas dizem dois tipos de coisas: verdades e mentiras.

panorama 

Eu falo simples, como as pessoas falam simples, e digo que não sei cantar, por exemplo. Digo que tenho medo das coisas que digo, por exemplo. Digo que tenho uma vontade imensa de ser aceito, porque eu sou diferente, sou calado. Digo que estou o tempo todo na corda bamba, e que já vi os melhores gênios da minha geração destruídos pela loucura ou pelo esquecimento.

As pessoas esquecem.

Chega um determinado ponto em que não são mais capazes de compreender, e se não compreendem não podem continuar vivendo.

Então as pessoas esquecem.

Eu já vi pessoas esquecendo, e buscando justificativas para tudo. Eu já vi meus melhores amigos esquecendo, com um sorriso de certeza nos lábios.

Eu já vi a segurança, e vi também uma pedra do fundo do rio prendendo o corpo de um afogado, e pude constatar que aquela pedra era segura. Nada podia ser tão segura como aquela pedra. A segurança daquela pedra tinha feito o menino acreditar que era mais forte do que o carro e morrer por causa disto, a segurança do “tudo tem seu tempo” conduziu meus melhores amigos ao esquecimento.

Meus melhores amigos. E é em nome deles que eu me revolto.Mas é contra eles que estou lutando.

No fundo, todo mundo luta ombro a ombro, eu sei. Nem sempre do mesmo lado, mas sempre com os mesmos motivos.E um mata o outro por algo que ambos acreditavam.

Assim é o mundo.

Assim é o panorama.

E não pertenço nem á geração dos Espada, nem á geração da Flor.Não dancei rock, não pedi esmola viajando, não briguei em passeatas. Tudo foi acontecendo um pouco á margem, e antes que acabasse eu já tinha consumido.Por isso não pegava nem na pedra nem na guitarra. Como eu sofri, meu Deus, por causa disto.

Mas o fato é que tudo acontecia dentro de mim. Só que em algumas horas eu devorava aqueles anos inteiros da vida de outras pessoas.

 Paulo Coelho

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Caminho das Índias. E o tal núcleo blogueiro, cadê????

Eu comecei a ver Caminho das Índias justamente por causa daquele papo de incluir o tema “blogs” na novela. Inclusive comentei sobre isso aqui e aqui, afinal isto muito me interessava haja visto a possibilidade de levar ao entendimento do populacho, um universo do qual faço parte e que acreditem, ainda é bastante desconhecido.

blogueiro

Fato que no início a coisa foi até divertida apesar de não ser exatamente assim que eu esperava ver o tema ser abordado.
Indra, o personagem responsável pelo tema  falava mais no blog, ouvia-se citações de blogs e blogueiros conhecidos e teve até a aparição de Guilherme Zaiden, que mesmo não sendo blogueiro virou figura notória no meio.
Por outro lado o personagem ficou um pouco caricato, demonstrando ser um completo banana em meio as situações vexatórias impostas pelo pitboy Zeca.  Não digo partir pro braço, mas pelo menos bater boca e mostrar argumentos, sim porque blogueiro que é blogueiro adora fazer  uso da voz e da escrita pra defender suas idéias.

Mas enfim. Só sei que de uns tempos pra cá a coisa  ficou simplesmente esquecida. É óbvio que a abordagem do tema não seria o carro-chefe da novela, sabemos disso perfeitamente, mas ficar totalmente preterido me decepcionou um pouco.

O que vemos agora é o personagem Indra ocupadíssimo com as investidas da vagaba adúltera da personagem Norminha. Tudo bem que antes ele corria dela, deixando alguns  blogueiros incomodados sobre o possível rótulo de que além de banana, blogueiro também é boiola,  mas enquanto a parte da boiolagem fica sanada, a parte que trata de blog fica ouvindo cri cri de grilo.
Isso aí eu até entendo. O povão gosta de uma safadeza e claro, isso rende mais ibope…

Sinceramente, eu tive a ilusão de que haveria um comprometimento maior com o assunto.  Tanto alarde e tanta festa foi pra nada. Realmente não está sendo o que eu esperava….
De qualquer forma talvez seja melhor ter o tema esquecido do que tratá-lo de forma errada.

Enquanto isso vou ter que continuar topando com gente me perguntando:

_ Blog?? É igual Orkut???

Ester Beatriz

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O Maranhão vale menos que Santa Catarina?

Tenho uma ligação especial com o Maranhão, sendo casado com uma maranhense e tendo visitado São Luis várias vezes. Além disso, é terra de grandes pilares da música brasileira, como Adelino Nascimento e Raimundo Soldado (a paz seja com eles) e o promissor Ribamar José.

Vem_chuva_by_mariapaula

Por isso não pude deixar de reparar no silêncio da tal blogosfera com relação à calamidade que vem assolando o estado nessas últimas semanas. A mesma calamidade que atingiu Santa Catarina no fim do ano passado e que gerou toda uma mobilização de blogueiros “top de linha”, campanhas de doações, memes, etc. Dessa vez, um silêncio cortante. Sequer uma linha mencionando o fato entre os mais de 100 blogs que assino. Fico tentando encontrar os motivos.

Seria pela distância? Não é o que parece, já que até blogueiros nordestinos ignoraram o assunto. O Maranhão fica em uma encruzilhada geográfica, mais para Norte do que para Nordeste, ali do lado do Pará. Nem seca tem. Talvez os blogs pernambucanos que eu acompanho não considerem o estado digno de menção, sei lá.

Talvez pelo fato de não ser um estado tão “loirinho” como os do sul? É o estado mais miserável desta fracassada federação, praticamente uma propriedade particular do clã liderado por aquele senador que adora perseguir blogs. Sem falar que São Luis, mesmo sendo um destino turístico conhecido, não chega nem perto de despertar o interesse de Florianópolis, o fetiche turístico favorito dos paulistanos.

Seja qual for o motivo, o fato é que a tal blogosfera — aquele lugar fictício cheio de gente consciente, antenada, descolada, cool, eleitora da Soninha e usuária de Mac — optou por se preocupar com a enchente do sul e ignorar a enchente do norte.

Existe uma piada recorrente entre blogs sobre a suposta existência do Acre (às vezes é o Piauí). Só que a brincadeira parece ter lá o seu fundo de verdade. Quando o presidente da Philips deu aquela desastrosa declaração sobre o Piauí (que também está alagado), muito blogueiro se indignou. Mas ao que parece ele acertou em cheio.

Pelo jeito, a resposta à pergunta do título é sim.

 Ronaldo Camacho

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