Duzentos mil anos atrás aconteceu uma coisa que me deixou pensando no quanto choramos de barriga cheia. Um homem, armado com apetrechos criados de acordo com o que sua capacidade mental poderia conceder, saiu para caçar, com uma taquara rachada de ponta afiada e uma machadinha feita com um osso e uma pedra amarrada numa das extremidades. Mal sabia ele que este não era o dia do caçador.
Quando a noite caiu, viu-se acompanhado. Uma Hiena decidiu, depois de muito observar aquele pobre diabo, fazê-lo de janta. Dizem que, a Hiena come qualquer coisa sem criticar e ainda sorrindo, como se vangloriasse de ser tão nojenta, pois nem os urubus poderiam ir além de sua natureza.
O homem, desamparado diante da superioridade da Hiena, tentou correr, mas vendo que não ia conseguir ir muito longe, resolveu lutar. Em questão de segundos viu sua lança transformada em duas e seu martelo sair voando sem, no entanto acertar o alvo.
Então ele olhou para o céu e permaneceu parado como se já soubesse o que sempre acontece neste tipo de situação. Sem reclamar, aceitou seu fardo, foi devorado ali mesmo, num jantar sem muitos preparativos e nem cerimônias.
Isso me fez pensar: realmente não temos do que reclamar. No dia que você achar que está tendo um dia ruim, pense nesse sujeito: Duzentos mil anos atrás, ele saiu pra caçar, era o dia da caça. Ou nem era, pois ele virou a caça. Foi devidamente devorado por uma Hiena. Um bicho que come merda sorrindo. Nem a idéia de morrer sendo um quitute especial ele pôde ter.
Fonte: LenoDias começou com o texto em cor preta e a finalização em verde foi escrito pelo Cardoso.
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