Costumo preencher minha vida a tal ponto que mesmo que eu quisesse, não sobraria espaço para o racismo. E o convívio com pessoas diferentes e o fato de fazer parte de uma família diversificada, reforça o que digo. E digo mais, e pelo fato de meu trabalho lidar com o comercio me torna uma pessoa livre de qualquer preconceito. Por si só, essa formula já deveria acabar com o preconceito, porém não é bem assim e, hoje resolvi analisar o peso de tudo isso em relação à vida de outras pessoas.
Cheguei à conclusão que não é tão fácil, ainda mais quando nosso racismo vem enlatado com uma vingança enrustida de humor, preconceito e muitos cuidados. Cuidados com processos.
Não vou nem perder meu tempo querendo debater sobre se o absurdo de sistemas criados, como o de cotas nas faculdades, por exemplo, ajudam ou não a proliferar o racismo. Minha resposta é sim. O que poderia, eram serem criados sistemas mais eficientes, como os que abrangem melhores oportunidades aos pobres. Esses sim, os verdadeiros injustiçados que estão em todas as categorias, como a negra, branca, vermelha, amarela, roxa, cinza e por ai vai.
Mais enquanto não temos uma solução vinda do próprio homem, andei observando que talvez a própria natureza seguindo seu curso vai aparecer com uma carta na manga. Deixe-me explicar, faz parte do homem “o medo pelo diferente” e também faz parte do homem a “ganância pelo dinheiro”. Esta ultima é a solução que aponto, ou seja, o comercio. Nada mais do que o comercio para aproximar as pessoas, melhor até do que o próprio convívio, esse também importante.
Para ser mais claro vou falar sobre uma passagem que me aconteceu. Estava eu, ouvindo um amigo chato que cacarejava suas teorias nada convenientes em meu ouvido sobre as varias coisas que ele não concordava e lhe dava raiva. Foi quando chegou um cliente homossexual na loja, daqueles que mais gastam, e quando foi embora levando sua mercadoria deixou uma soma de reais na minha mão. Então eu balancei esse dinheiro na cara de meu amigo e disse; “Como que eu vou ter raiva de um homem desses, independente do que seja, já que todo dinheiro é igual.”
Era verdade, depois disso nossas risadas estrondosas invadiram o ar.




