DOM JOAO VI chegou ao Brasil como príncipe regente, sendo coroado aqui depois da morte de sua mãe, a rainha Maria I de Portugal. Gostava tanto daqui que nutria o desejo secreto de transferir a capital de Portugal para o Brasil, no entanto em 1820, os portugueses promulgaram uma constituição que reconhecia Dom João VI como chefe de estado, intimando-o a voltar ao pais e assumir o trono.
Resignado, o monarca retornou a Portugal deixando aqui seu filho Pedro a quem instruíra promover a nossa independência. Para garantir sua segurança, resolveu deixar, na Bahia, guarnições portuguesas que vieram com ele em 1808 e então chefiadas pelo General Madeira de Mello.
Proclamada a independência em 1822, o general Madeira de Mello considerou o gesto uma traição a Portugal e decidiu resistir à emancipação.
Para enfrentar o general Madeira, nosso exercito, composto de apenas alguns voluntários bisonhos e a maior parte deles nunca haviam participado de uma batalha, marcharam para a Bahia. Entre eles havia um corneteiro, Luís Lopes, um negro experiente em toques de comando. Mesmo em desvantagem, esse exército enfrentou as tropas portuguesas na batalha de Pirajá, no recôncavo Baiano. Como era esperado, estavam levando a pior.
A batalha começou de manhã e ao cair da tarde, o sol se punha atrás das linhas brasileiras, cegando os olhos do exercito português. O major brasileiro avaliando a pouca chance de vitória, resolveu admitir a derrota. Ordenou ao corneteiro Luís Lopes anunciar o toque de retirar.
No entanto, em vez de tocar a retirada, ele desobedece e dá o toque de avançar. Diante da vantagem que tinham, ao escutarem o toque de avançar, e sem conseguirem enxergar direito as linhas brasileiras por causa do sol poente, os portugueses concluíram que nossas tropas recebiam reforços, e debandaram.
De uma derrota certa, a batalha de Pirajá se transformou em vitória no dia 2 de julho de 1823. O comandante recebeu o título de Visconde de Pirajá, mas o corneteiro só foi reconhecido pela História muito tempo depois.
E eu sempre tratei Luís Lopes, o corneteiro de Pirajá, como um herói, porque ele merece. Uma pena que ficou quase esquecido no tempo e na memória da maioria dos brasileiros.
Fonte e adaptado para o textaculos.
LenoDias
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