Podemos ser o exemplo


Durante poucos minutos de minha vida eu já parei pra pensar no quanto nosso próprio filme está cheio de tentações. E como na maioria das vezes estamos desavisados, desarmados, anuviados, despreparados e por causa disso quase sempre perdemos a batalha para o pecado, para a tentação.

Pecado vem de pecus que significa pé defeituoso e na minha descrição significa arrependimento. Por tanto se há arrependimento no que foi feito, é um pecado, não deve ser praticado, deve ser evitado.

Voltando ao assunto da batalha, perdemos quando aceitamos um cigarro de nossa turma ou aceitamos uma bebida forte somente para justificar nossa permanência em tal grupo e fico por aqui para não dar exemplos piores. Somente para provar que somos cabra macho ou algo mais que inventarmos para poder praticar tal ato sem que soframos com isso, nesse momento, sob a escusa de qualquer coisa.

E por que isso acontece? Justamente por que a maioria não sabe acreditar em suas vidas e preferem crerem numa filosofia de frouxos. É essa mesmo, a  de querer ser uma Maria vai com as outras. Termo tão popular e que significa acompanhar sempre a moda dos outros como se fosse uma vergonha agir de acordo com nossos princípios.

Todos podemos ser mais do que somos. Na verdade, somos uns pífios, uns arremedos do que podemos ser. Podemos ter uma vida afetiva bem melhor, ter mais dinheiro no bolso, mais saúde, mais liberdade, mais tudo, tudo. Basta querer, basta ter consciência de que nascemos com uma esplêndida possibilidade.

Todos temos um talento natural, obsequioso se o descobrirmos e a ele dermos atenção. Bah, o talento vai nos retribuir com todas as generosidades de quem é bem nutrido, amado.

Por tanto chega de querer ser frouxo, devemos dar o exemplo, não ser guiado pelos maus exemplos.

Fonte; Carlos Prates escreveu o texto verde sombreado e LenoDias o resto.

LenoDias e Carlos Prates

Coração de mãe sempre cabe mais um

Esta história foi contada por um amigo do Ceará. E ele contou que a neta de 12 anos de seu avô apareceu grávida deixando aquela cidade de pouco menos de nove mil habitantes em pavorosa – afinal ela tinha apenas 12 anos e sem marido. Pediu que o avô lhe providenciasse todos os cuidados necessários para que fizesse um bom parto. Disse mais, disse que precisava ser acompanhada por uma enfermeira, e exigia uma vaga numa boa maternidade, queria fugir das complicações. Sobre o pai da criança que estava por nascer, disse que preferia deixar o assunto morrer.

Seu avô, uma alma caridosa, calmo e bondoso, contrariou todos os conselhos recebidos daquele povinho da cidade, num acesso de fúria retirou a cinta das calças e a mirou na parede. O estalo foi ensurdecedor. Disse, quase berrando, para todo mundo ouvir, que sua neta nada pedia pra ninguém e somente a ele cabia o direito de julgar o que tinha acontecido. Passou a mão na cintura da neta e disse que todo o apoio e cuidados necessários poderiam ser esperados da parte dele. Ele mesmo iria criar o bebê como se fosse seu filho. Que ela não se preocupasse com a língua do povo. Língua ferina.

O tempo passou. O bebê nasceu e nos anos seguintes mais outros. O discurso do velho e a apresentação teatral com a cinta eram repetidos indefinidamente como um show gratuito, grotesco, porém engraçado. Para encurtar a história, digamos que em 10 anos foram dez bisnetos, só que no décimo primeiro ano algo mudou.

Num acesso descontrolado de fúria, o velho puxou a cinta e a mirou, não na parede e sim no espinhaço da neta. O estalo foi ensurdecedor e o grito dela também.

– Olha aqui sua vadia. Ouça bem, se quiser bancar a parideira, que vá trabalhar e pagar por todos os seus caprichos, vaca, galinha! Se não tem o que fazer, vai trabalhar, vai criar seus filhos, vai ler um livro, porra.

Sua neta arrumou um emprego, as horas ociosas acabaram e nunca mais quis ter filhos.

LenoDias

Um Milagre de Natal

Natal é uma época do ano em que as pessoas boas ficam chatas e as pessoas chatas ficam mais chatas ainda. Natal é uma época do ano em que todos os cruzados anti-hipocrisia saem da toca e vão atacar gente que foi hipócrita como eles durante todo o ano. Natal é uma época do ano em que todo mundo que leu Dan Brown repete de forma papagaienta que Jesus não nasceu 25/12, que as festas cristãs são chupadas de festas romanas, simbologia, bla bla bla.

Mesmo assim eu gosto do Natal.

norad

Nos filmes sempre há um milagre de Natal. Eu só conheço um: A inspiração da época que torna as pessoas propensas a gestos e desprendimento fora de seu normal.

Como o clássico caso do Coronel Harry Shoup. Em 1955, auge da Guerra Fria, ele era comandante do NORAD, aquele centro de defesa aeroespacial da América do Norte (Canadá também faz parte) que todo mundo viu em Wargames.

Era época de Natal, todo mundo mais relaxado. Toca o telefone. “O” telefone, a linha direta que somente o Presidente e o Secretário de Defesa tinham. O Coronel Shoup atende. Do outro lado uma garotinha querendo falar com… Papai Noel. Depois de alguma pesquisa, descobriram que um anúncio da Sears saiu com número errado, e ao invés de apontar para a central criada para promover a loja, o “número do Papai Noel” apontava para a linha secreta do NORAD.

Tocado pelo espírito natalino, o Coronel Shoup colocou gente para ficar atendendo o telefone e falar com as crianças, que começaram a espalhar para os amigos. No ano seguinte as crianças voltaram a ligar, e já virou tradição. Hoje mais de 300 voluntários se revezam atendendo.

Daí surgiu outra tradição: Todo ano, na madrugada de 24 de Dezembro um alerta soa no NORAD, indicando um objeto em trajetória balística vindo em direção a América do Norte. O Comandante é avisado. Ele informa que é Papai Noel, e ordena darem livre passagem. A ocorrência é marcada nos livros de registro. Também são enviados caças para escoltar o trenó.

O NORAD tem um site feito por militares voluntários, o http://www.noradsanta.org, que acompanha Papai Noel, além do telefone, o 1-877-HI-NORAD.

Se uma estrutura criada com o único propósito de garantir a MAD – sigla em inglês de Destruição Mútua Assegurada – consegue parar por alguns minutos e se mobilizar para tornar a noite de algumas crianças mais mágica, tudo pode acontecer. E sim, É um milagre de Natal.

Por isso vejo o Natal como muito mais do que uma festa religiosa. Aliás, o componente religioso do Natal vem se tornando cada vez mais irrelevante. A figura do Papai Noel tem ocupado o espaço como ícone da festa, e muito bem. Sua mensagem é simples: “seja um bom menino”. Sua punição é com ausência. “não ganha presente”. Pronto. Nada de ameaças, castigos eternos, etc.

Às crianças ruins, a pior de todas as punições: Pararem de acreditar em Papai Noel. Perderem a magia. Descobrirem que há um homem atrás da cortina. Crescerem como adultos chatos que denunciam o comercialismo do Natal, mas não vão para a igreja porque afinal de contas “não são burros”.

Adultos que denunciam o comercialismo, mas esquecem de que presentear quem se gosta É uma coisa legal. Quem não reconhece o brilho no olho de uma criança quando ganha um brinquedo já é velho e inútil demais para se lembrar da sensação de ganhar um brinquedo.

Por isso fico com a alegria das crianças e o Espírito de Natal. Acredito que a maioria das pessoas NÃO se auto-iluda, e que mudem seu comportamento durante as Festas de Natal como uma forma de demonstrar não o que são (o que seria hipocrisia), mas em um legítimo esforço de mostrar como GOSTARIAM de ser.

A essas eu desejo Feliz Natal.

 Cardoso

A Princesa e o Sapo

Quando Vinícius falou que as feias o desculpassem, pois pra ele beleza era fundamental não houve nenhuma mulher pra se defender, inclusive as feias. Sua ousadia foi tanta que soltou esta frase tão a sério que, os homens em sua maioria concordaram que pensavam da mesma maneira.

sapo

Eu refleti sobre o assunto, por isso achei muito estranho nunca ter ouvido nenhuma frase parecida dirigida aos homens. Seria pelo fato deles não acreditarem seriamente na feiúra, levando larga vantagem quando o assunto recaia sobre a “beleza”? Pelo jeito, parece que sim. A feiúra existe só para quem acredita nela

Por experiência, lembro-me que atravessei a infância ouvindo que era feio, no entanto quando a mocidade chegou descobri que conseguia, apesar da feiúra, arrumar namoradas que enxergavam aquela beleza que os outros falavam que apenas eu acreditava ter. Por causa desta controversia e como uma forma de defeza eu dizia que era um sapo.Um sapo de dar inveja.

E com esta carta na manga seguia em frente, e por algum tempo tentei entender e pensei com absoluta sinceridade, sempre otimista a respeito de todo esse assunto, mas nunca em momento algum fiquei impedido de acreditar no meu próprio veredicto. E no entanto até hoje nunca descobri como estas coisas realmente funcionam, quem saiba seja coisa do pensamento que com nossa ajuda faz sua escolha. Graças a Nosso Jesus Cristo, eu facilmente tinha superado isso.

E por quê? Porque eu havia escolhido ser excêntrico por acreditar que era belo, excêntrico por minha não modéstia, meu temperamento otimista e orgulho solitário – esse orgulho tão ridículo naqueles que se sentem desapoiados perante a sociedade. Excêntrico também por em última análise preferir escolher ser considerado um sapo, pois eles têm uma coisa que dar inveja, que mais não seja, os sapos têm o dom de se transformarem em príncipe.

LenoDias

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