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Seja Bem-Vindo!

São várias as mãos que fazem o textaculos. Independente, ácido, subversivo e informativo. Deformamos conceitos com o intuito de mostrar coisas novas. Convido-os a fazer parte dessa organização do caos contextualizado. Com sua leitura ou escrevendo.

entre ônibus e bagagens, um microcosmo da cidade

O LIVRO AMARELO DO TERMINAL
de Vanessa Barbara
Editora: Cosac Naify, 2008, 254 págs.

Para comprar, clique aqui

A correria da cidade, o amontoado de ônibus, um mundo gente que vai e vem, carrega bagagens, perde coisas tão inusitadas quanto uma dentadura, um banco de Kombi ou um braço mecânico. A rodoviária do Tietê, a segunda maior do mundo, reproduz a cidade de São Paulo. E é tão grandiosa quanto ela: abriga 61 empresas de ônibus com 331 linhas que atendem 611 localidades em todos os estados brasileiros, com exceção do Amazonas e do Acre,e mais quatro países sul-americanos (Uruguai, Paraguai, Argentina e Chile).

Por isso, conhecer esse terminal rodoviário é conhecer aspectos essenciais da vida da cidade e dos seus habitantes, dos migrantes que chegam cheios de esperança para se tornarem “paulistanos” ou dos que partem desiludidos com a cidade. “O Livro Amarelo do Terminal”, da jornalista Vanessa Barbara, desvenda não apenas os segredos desse terminal (não todos, porque o faturamento dos banheiros ainda é um dado guardado a sete chaves pelo administradores) mas as histórias dessa gente que chega, parte, espera.

Vanessa divide seu livro em 22 capítulos nos quais mostra a história do prédio inaugurado em 9 de maio de 1982, na avenida Cruzeiro do Sul, junto á estação Tietê do metrô; os segredos da administração, a vida de quem trabalha lá, dos motoristas e atendentes do balcão de informações; das responsáveis pela seção de achados e perdidos; e das pessoas que passam por lá.

O que impressiona, no primeiro momento, é a grandeza. Vanessa detalha o prédio, formado por dois terminais distintos (o terminal de embarque e o terminal de desembarque) mais os dois blocos de serviços localizados no andar superior.

Mas, essa descrição ganha vida quando Vanessa começa a mostrar as pessoas que movimentam o terminal. Ela passeia pelos terminais de embarque e desembarque e pelos dois blocos de serviço, anotando com sensibilidade histórias diversas. Mostra o trabalho das atendentes do balcão de informações, de coque, sombra nos olhos e lencinho no pescoço, prontas para dizer como chegar em qualquer lugar. Elas não falam inglês nem espanhol, mas atendem os estrangeiros na certeza de que, de uma forma ou de outra, acabam se entendendo. Mostra também o trabalho dos motoristas, das faxineiras dos banheiros com seu faturamento secreto, dos seguranças que tem ordens de impedir fotos ou reportagens desautorizadas dentro do terminal, carregadores, vendedores da loja de malas, pedintes e até do dono da voz dos auto-falantes da rodoviária.

As histórias do usuários são esclarecedoras. São lojistas do interior de São Paulo e de outros estados, que vêm a São Paulo fazer compras na 25 de março, gente que chega e
procura por parentes que deveriam buscá-los, jovens surfistas que dormem sobre suas pranchas enquanto esperam, estrangeiros que querem passear em Ilhabela. Histórias de
uma grande cidade, com gente que joga chicletes no chão e papel higiênico fora do lixo, pisa em salgadinhos, carrega malas e sacos pretos enormes, compara esnobe as condições do terminal com as condições oferecidas pelos terminais europeus. Tudo anotado e colocado no livro com um texto sensível, esclarecedor e coadjuvado por uma edição inovadora, com recortes de jornais, manchetes das revistas de fofocas expostas nas bancas de jornais do terminal, frases dos livros de auto-ajuda à venda etc. Enfim… um microcosmo da cidade.

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revista piauí | 4 anos

Filme bem interessante da Loja Comunicação pra Revista piauí. Vale apenas conferir.

De acordo com João Moreira Salles o nome da revista surgiu de uma idiossincrasia. Ele gosta de palavras com muitas vogais, e piauí tem várias. O som é bonito. Parece banal, e talvez seja mesmo, mas a razão foi essa. Vogais amolecem as palavras. Elas ficam mais simpáticas. piauí é uma palavra simpática.

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a televisão no meu tempo

No meu tempo, a televisão era diferente. Para começar, havia a supremacia do dublado – todos os filmes, séries e programas estrangeiros recebiam uma buliçosa versão em sotaque carioca, provavelmente feita pelo mesmo sujeito, que ganhava uma miséria e imitava as vozes de todo o elenco: dos velhos, das moças, das crianças e dos galos.

No meu tempo, havia televisões em preto e branco de cinco polegadas com rádio AM/FM, que só sintonizavam à base de petelecos e mandinga brava. Havia a frequência UHF e um cheiro permanente de queimado saindo de trás do televisor.

Nos idos d’antanho, as antenas eram Plasmatic, tinham a forma triangular e um bombril na ponta. A gente costumava revezar o membro da família encarregado de ficar de pé, ao lado do aparelho, segurando a antena num ângulo específico – o braço esquerdo levemente arqueado, os joelhos dobrados, o pescoço pra trás. Era como nós praticávamos a ioga, naquela época.

As partidas de futebol eram mais proveitosas: todos os jogadores tinham a coloração esverdeada, e cada atleta recebia a marcação cerrada de um habilidoso irmão gêmeo. Nunca dava pra ver a bola e, aparentemente, os 22 elementos em campo usavam a mesma cor de uniforme, rolando a pelota fraternalmente para o mesmo time. Era bonito o futebol no meu tempo.

À tarde, a gente assistia o game-show “SuperMarket” (Band), uma despropositada gincana dentro de um supermercado. Acertávamos a resposta das charadas que o Ricardo Corte Real fazia sobre produtos lácteos, extrato de tomate e desinfetante. Sabíamos de cor em que corredor ficava o pepino em conserva e a maionese gigante. Era durante o “SuperMarket” que a luz de casa começava a falhar, anunciando a hora de ir tomar banho (antes que os vizinhos sugassem toda a energia local).

A televisão de outrora valorizava a rapidez de raciocínio (imagens oscilantes), a incerteza filosófica (o que foi que ele disse?) e a imaginação do espectador, pois nunca dava pra distinguir com clareza o que estava acontecendo (“Olha, mãe, eu acho que tem um Ovni ali atrás do Cid Moreira”).

Com o advento da transmissão em alta resolução, tela de cristal líquido Full HD e som estéreo 5.1, ficou mais chato assistir televisão.

texto Vanessa Barbara

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por que o frango cruzou a estrada? Atualizado 2010

PROFESSORA PRIMÁRIA: Porque queria chegar do outro lado da estrada.
CRIANÇA: Porque sim.
POLIANA: Porque estava feliz.
PLATÃO: Porque buscava alcançar o Bem.
ARISTÓTELES: É da natureza dos frangos cruzar a estrada.
NELSON RODRIGUES: Porque viu sua cunhada, uma galinha sedutora, do outro lado.
MARX: O atual estágio das forças produtivas exigia uma nova classe de frangos,capazes de cruzar a estrada.
MOISÉS: Uma voz vinda do céu bradou ao frango: “E o frango cruzou a estrada e todos se regozijaram.”
AMYR KLINK: Para ir onde nenhum frango jamais esteve.
MARTIN LUTHER KING: Eu tive um sonho. Vi um mundo no qual todos os frangos serão livres para cruzar a estrada sem que sejam questionados seus motivos.
MAQUIAVEL: A quem importa o por quê? Estabelecido o fim de cruzar a estrada, é irrelevante discutir os meios que utilizou para isso.
FREUD: A preocupação com o fato de o frango ter cruzado a estrada é um sintoma de sua insegurança sexual.
DARWIN: Os frangos têm sido selecionados naturalmente, de modo que, agora, têm uma predisposição genética a cruzar estradas.
EINSTEIN: Se o frango cruzou a estrada ou a estrada se moveu sob o frango, depende do ponto de vista. Tudo é relativo.
FHC: Por que ele atravessou a estrada, não vem ao caso. O importante é que, com o Plano Real, o povo está comendo mais frango.
GEORGE ORWELL: Para fugir da ditadura dos porcos.
SARTRE: Trata-se de mera faticidade. A existência do frango está em sua liberdade de cruzar a estrada
MACONHEIRO: Foi uma viagem…
PINOCHET: El se fué, pero tengo muchos penachos de el en mi mano!
ACM: Estava tentando fugir, mas já tenho um dossiê pronto, comprovando que aquele frango pertence a Jorge Amado.
PDT: Para protestar contra as perdas internacionais promovidas por esse governo neoliberal e entreguista, e apoiar a renúncia de FHC, já ! Fora FHC!
MALUF: Não tenho nada a ver com isso. Pergunte ao Pitta.
NIETZSCHE: Ele deseja superar a sua condição de frango, para tornar-se um superfrango.
CHE GUEVARA: Hay que cruzar la carretera, pero sin jamás perder la ternura…
BLAISE PASCAL: Quem sabe? O coração do frango tem razões que a própria razão desconhece.
SÓCRATES: Tudo que sei é que nada sei.
PARMÊNIDES: O frango não atravessou a estrada porque não podia mover-se. O movimento não existe.
CAETANO VELOSO: O frango é amaro, é lindo, uma coisa assim amara. Ele atravessou, atravessa e atravessará a estrada porque Narciso, filho de Nô, quisera comê-lo, …ou não!
DORIVAL CAYMMI : Eu acho (pausa)… – Amália, vai lá ver pra onde vai esse frango pra mim, minha filha, que o moço aqui ta querendo saber…
DILMA ROUSSEFF: “No que se refere ao fato de o frango ter cruzado a rua, eu considero que este é mais um ganho do governo do presidente Lula. Eu considero que foi apenas depois que o presidente Lula me pediu para coordenar o PAC das Ruas é que os frangos no que se refere ao cruzamento das ruas tiveram a oportunidade de poder cruzar as ruas, coisa que, aliás, só os frangos com maior poder aquisitivo podiam no governo FHC, no qual o meu adversário foi ministro do Planejamento e da Saúde”.
JOSÉ  SERRA: “Olha, este é mais um trolóló da campanha petista. Veja bem, os frangos cruzam as ruas no Brasil, há anos. Eu mesmo coordenei a emenda na Constituição que permite o direito de ir e vir dos frangos. Eles ficam falando que foram eles que inventaram esse cruzamento de ruas, mas já no governo Montoro, quando eu era secretário do Planejamento, os frangos cruzaram as ruas com maior segurança. Eu, por exemplo, criei o programa Frango Paulistano, que permitiu que milhares de frangos pudessem cruzar as ruas e, agora no meu governo, vou criar o “Frango Brasileiro”, em que todo frango terá direito de cruzar as ruas quantas vezes quiser “.

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Como aprender a tocar guitarra sozinho

Existe uma mentira que durante mais tempo do que se sabe, fizeram com que muitas pessoas desistissem de aprender a tocar um instrumento por pensarem que de tão fácil poderiam até dispensar os estudos. Esta mentira aplica-se mais ao modo como aprendem a tocar guitarra ou violão. É o famoso jargão “aprendi a tocar sozinho”, que é mal interpretado por se passar de uma mentira.

Deixe-me explicar. Ninguém aprende a tocar sozinho. Ninguém consegue pegar uma guitarra, se trancar num quarto e depois de dois ou três meses sair tocando, sem ter adquirido nenhum conhecimento prévio. Sem ter tido ao menos uma dica do instrumento.

O que essa frase quer dizer realmente é que devemos primeiro adquirir conhecimento com quem sabe e depois aperfeiçoar esse saber através da pratica e da repetição. Dessa forma podemos aprender sozinho, pois estamos repetindo e insistindo nos movimentos certos.

Vamos ser mais didático. Uma vez observei que quando um amigo tocava arpejos, eles soavam claros e suaves. Por mais que eu tentasse aprender este truque “sozinho” não conseguia fazer meu som soar exatamente da maneira como meu amigo tocava.

Lembro-me de chegar até ele e perguntar exatamente como se expressava. Ele disse que não fazia arpejos de uma nota por corda. Em vez disso, ele tocava uma nota em uma corda, depois pulava uma corda e tocava três notas. Desta forma aprendi sozinho, mas foi meu amigo que me mostrou uma maneira nova de fraseá estas notas.

Textáculos

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